Rodeio crioulo
Não sei se este texto vai
ser útil pra você. Porém, achei relevante o assunto. Pra mim é relevante. Pra
você, é mais pra não do que pra sim, na minha opinião. Dito isso. Estou mais
tranquilo em contar o que quero contar.
Hoje faz trinta e três
anos e dois meses que eu não vestia a pilcha. É isso mesmo, 33 anos. Não
acredita? Nem eu! Contudo, todavia, acabei de chegar em casa pilchado. É isso
mesmo, pilchado. Vim pilchado da loja, porque resolvi ir direto a loja de
fotografia fazer uma foto 3X4 para confeccionar minha carteirinha digital do MTG/SC.
Comprei, chapéu, lenço,
guaiaca e bota; a bombacha eu ganhei da minha irmã (Ivonete) e a camisa do CTG,
também ganhei dela. O meu CTG é o CTG do Preto. Quando eu ainda participava de
rodeios o nosso CTG se chamava CTG do Preto Velho. Hoje, somente CTG do Preto.
É um dos CTGs mais antigos de Santa Catarina e do Brasil. Daquela época de
guri, tenho lembranças maravilhosas; também lembranças tristes, mas, guardei
somente as maravilhosas.
E, hoje, quero
compartilhar com você o motivo que me fez vestir novamente a pilcha. Se você
não tiver mais nada pra fazer, acredito que vale a pena continuar a leitura,
caso você tenha algo importante para fazer, vai lá, depois você lê com calma
este texto, que nem eu sei no que vai dar. Entendeu? Pelo sim ou pelo não, vou
continuar aqui escrevendo.
No ano de 1993 eu me
consagrei campeão brasileiro de rodeios. É, é isso mesmo e até mesmo, já contei
os detalhes deste feito em outros textos, não vou me ater a isso hoje, quero
escrever sobre o meu gradual retorno aos rodeios. Gradual, ainda não voltei a
competir, está nos meus planos. Entretanto, vamos com calma! Não quero colocar
o carro na frente dos bois.
Antes de continuar a
escrever o quero contar, cabe aqui um destaque marcante. É que sábado da semana
passada, antes mesmo de me pilchar, levei meu pai a uma loja e sai de lá com
ele pilchado. Seu Otávio (88 anos de idade), parecia um guri, tava mais facero
que ganso novo na taipa do açude! Meu pai – meu herói –, quando jovem foi
domador, laçador e ginete. Ele tem ótimas histórias daquela época, é
sensacional ouvir ele contando. Foi ele que me ensinou a montar no cavalo. Eu
deveria ter no máximo 3 anos de idade, e diga-se de passagem, foi num pônei
xucro; mais era atentado aquele pônei; lembro como se fosse hoje. Veja bem, dos
meus tempos de guri de rodeios tenho fotos guardadas.
Se você nunca foi a um
rodeio crioulo, eu lhe convido a ir. Vale a pena. Se você nunca montou num
cavalo, eu lhe convido a experimentar, vale a pena. Dito tudo isso, vamos ao
que interessa. Se é que o texto até aqui não estava interessante. O que você
acha? se você ainda não desistiu da leitura é porque você não tem mais nada pra
fazer de importante, é ou, não é?
Enfim, dito tudo que eu
queria dizer, agora preciso finalizar. O principal motivo que está me trazendo
de volta as canchas de laço é o amor. Pronto falei. Posso finalizar aqui? Já
contei o real motivo do meu retorno gradual aos rodeios. Tá bom, vou ser mais
específico.
O amor pelos rodeios e
principalmente o amor de uma mulher. Ah! O amor. É o amor. Ela me fez recordar
minhas maravilhosas lembranças de guri. E isso mexeu comigo. Ainda não comprei
um cavalo, mas já coloquei em meus planos. É o amor. Piegas? Talvez! O mais
importante é fazer as pessoas felizes e compartilhar a felicidade. É ou, não é?
Então, hoje, para mim, é um dia para celebrar e relembrar. E pra você, quais são as suas maravilhosas lembranças de infância? Quais são seus sonhos esquecidos de guri? de guria? Será que não vale a pena resgatar seus sonhos de adolescente e dar mais brilho a sua vida séria de adulto? Talvez a grande magia do amor, é, do amor, como aconteceu comigo, lhe arrebate e lhe jogue na cancha de gineteada pra você sentir a emoção de viver; e a adrenalina de montar no lombo de um cavalo xucro. Talvez. Pense nisso!
Nenhum comentário:
Postar um comentário